O ex-senador Gim Argello (PTB-DF)
O juiz Sergio Moro, responsável pelos processos relativos à
Operação Lava-Jato em Curitiba, condenou nesta quinta-feira o ex-senador Gim
Argello (PTB-DF) a 19 anos de prisão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem
de dinheiro e obstrução à investigação de organização criminosa. Segundo o
juiz, há provas de que o político recebeu propina de três empreiteiras – UTC
Engenharia, OAS e Toyo Setal – para travar os trabalhos de investigação da CPI
Mista da Petrobras e ainda pediu o repasse de dinheiro ilegal de outras três
construtoras: Andrade Gutierrez, Engevix Engenharia e Camargo Correa. Ao todo,
foram negociados cerca de 30 milhões de reais em propina, sendo 5 milhões de
reais a serem pagos por cada uma das empreiteiras. Gim Argello embolsou para si
e para aliados pelo menos 7,35 milhões de reais.
Argello pode recorrer da condenação, mas permanecerá preso
por ordem de Moro. Além da prisão, o magistrado determinou o confisco de 7,35
milhões de reais em bens do ex-senador e disse que o mesmo valor deve ser
considerado para reparação ao Congresso pela atuação criminosa do
ex-parlamentar na CPI da Petrobras.
Na sentença em que condenou Argello, Moro fez duras críticas
à corrupção praticada por agentes políticos: “O condenado, ao invés de cumprir
com seu dever, aproveitou o poder e oportunidade para enriquecer ilicitamente,
dando continuidade a um ciclo criminoso. A prática de crimes por parlamentares,
gestores da lei, é especialmente reprovável, mas ainda mais diante de traição
tão básica de seus deveres públicos e em um cenário de crescente preocupação com
os crimes contra a Petrobras. Quanto maior a responsabilidade, maior a culpa, e
não há responsabilidade maior do que a de um legislador”, afirmou Moro.
“As propinas foram utilizadas no processo eleitoral de 2014,
com a afetação de sua integridade, além de ter afetado a regularidade das
apurações realizadas no âmbito da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da
Petrobras”, completou o juiz.
Também foram condenados os empreiteiros Léo Pinheiro, da
OAS, Ricardo Pessoa, da UTC, e o ex-diretor da UTC Walmir Pinheiro Santana.
Pinheiro, que negociava um acordo de delação premiada, recebeu pena de oito
anos e dois meses de prisão. Seu acordo de colaboração com a justiça foi
interrompido pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot após VEJA revelar
que ele citou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. Ainda
assim, a defesa do empreiteiro alegava que ele deveria ser beneficiado com
redução de pena por fornecer informações aos investigadores. Para Sergio Moro,
porém, como o Ministério Público acabou por não fechar a delação com o
empresário, não é possível dar a ele benefícios judiciais. “O problema maior em
reconhecer a colaboração é a falta de acordo de colaboração com o MPF e a
celebração deste envolve um aspecto discricionário que compete ao MPF, pois não
serve à persecução realizar acordo com todos os envolvidos no crime, o que
seria sinônimo de impunidade”, disse o juiz.
Delatores da Lava-Jato, Ricardo Pessoa e Walmir Santana
receberam pena de 10 anos e meio de prisão e nove anos, oito meses e 20 dias de
prisão, respectivamente. Como colaboraram com a justiça, terão direito a
benefícios, como o cumprimento da sentença em regime domiciliar diferenciado.
Sergio Moro não acolheu, no entanto, o pedido de ambos para um perdão judicial.
Ao todo, foram absolvidos cinco acusados por falta de provas, entre os quais o
filho de Gim, Jorge Afonso Argello Junior, o ex-assessor Paulo César Roxo Ramos
e o ex-secretário-geral da Câmara Legislativa do Distrito Federal Valério
Neves.
Gim Argello, um dos políticos próximos à ex-presidente Dilma
Rousseff, foi preso em abril durante a 28ª fase da Operação Lava-Jato. Os
indícios de que o ex-senador embolsou propina foram reforçados por depoimentos
de delação premiada do ex-diretor financeiro da UTC Walmir Santana e do dono da
empreiteira Ricardo Pessoa. Em sua delação, Walmir Santana afirmou que “ficou
acertado entre Ricardo Pessoa [dono da UTC] e Gim Argello que tal senador
atuaria no sentido de que ele, Ricardo Pessoa, não fosse chamado a depor na
CPMI”. “Em contrapartida, Ricardo Pessoa faria contribuições em favor das
pessoas indicadas por Gim Argello”, completou o delator. Em julho de 2014,
chegou-se a valor de 5 milhões de reais em propina para o ex-senador distribuir
a aliados.
Ainda conforme a versão apresentada pelo ex-dirigente da
UTC, os repasses começaram a ser feitos a partir de 10 de junho de 2014 para
partidos como o PR, o PMN, o PRTB e o DEM, um dos principais partidos de
oposição ao governo federal. Ao todo, a empreiteira contabilizou 1,7 milhão de
reais em dinheiro sujo enviado ao DEM, 1 milhão de reais ao PR, 1,150 milhão de
reais ao PMN e 1,150 milhão de reais ao PRTB.
No caso da OAS, foram detectados repasses de 350.000 reais
em propina para Gim Argello. Ele utilizou uma conta bancária de uma paróquia no
Distrito Federal para receber o dinheiro sujo. A prova são mensagens no celular
do presidente do Grupo OAS Léo Pinheiro. Em maio de 2014, data da instalação da
CPI da Petrobras no Senado, Pinheiro solicita que seja feito pagamento de 350.000
reais à conta da paróquia. A empreiteira anotou como centro de custo do repasse
de dinheiro uma obra da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
Veja
MORO CONDENA EX-MINISTRO GIM ARGELLO A 19 ANOS DE PRISÃO
Reviewed by Mural do Oeste
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quinta-feira, outubro 13, 2016
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