Por Robson Vieira
O papel principal do legislativo é, ou ao menos deveria ser, dentre outros claramente definidos na legislação, fiscalizar e propor leis. Exceto em Santa Maria da Vitória onde a Câmara de Vereadores equipara-se a uma espécie de copa/cozinha/puxadinho para a prefeitura local - lugar de deleite - e os vereadores parecem deslocados da função sobre a qual propuseram exercer com o aval do voto dos/das eleitores/eleitoras. O que esperar daqueles que secularmente fizeram da política profissão?
Em contrapartida, a expertise acumulada ao longo dos anos demonstra o analfabetismo funcional e político de alguns dos vereadores, não que isso seja um problema, no entanto, ter a capacidade de ler e interpretar um texto é principio importante para o exercício autônomo e consciente da vereança. O fato de não saber sobre determinado conteúdo, que é diferente de não querer saber, não é e nunca foi 'pecado'. Todavia, se negar a abrir mão da ignorância é um ato nocivo ao bom andamento da gestão pública. Porém, nem tudo está perdido, ir a uma sessão da câmara em Santa Maria da Vitória é certeza de riso farto acompanhado de muita decepção, algo que lembra as clássicas comédias do saudoso Mazzaropi só que numa proporção menos cinematográfica, um tanto amadora, diria. Mesmo assim comédia pura, circo invertido. Até seria engraçado seria se não fosse trágico!
Passados mais de 100 anos de emancipação política a câmera continua a fazer parte das dependências da prefeitura provando sua subordinação ao executivo independente de quem seja o gestor, certo é que ele será aquele que escolhe o cardápio. Cozinha boa é a que tem comida farta e mesa cheia de poucos privilegiados, como neste caso.
Diante desse fato, onde fica a autonomia dos poderes? Respondo: na prática parece não existir. De onde vem o dinheiro que paga essa conta? De maneira simples (o objetivo aqui não é o aprofundamento nesse quesito até por que não tenho total domínio sobre o tema), o orçamento da câmara advém do percentual da receita do município e para isso considera-se o número de habitantes, no caso de Santa Maria da Vitória esse total é de 5%. Parece pouco, mas não! Pelo contrário, é muito dinheiro! Assunto para outra abordagem. Aqui interessa saber que a câmara possui autonomia em termos financeiros, ou seja, ela faz a gestão dos seus recursos considerando ditames legais. Esse dinheiro poderia ser usado inclusive para que fosse construída uma sede própria para deixar de ser ‘puxadinho’, que por sinal tem um valor simbólico claramente delineado.
Pelo ocorrido na sessão da ultima terça-feira (17), os nobres edis deixam claro qual a prioridade deles aumentando seus salários em mais de 25% passando de um total de 6 (seis mil) para 7.500 (sete mil e quinhentos), sem contar as regalias e as gordas diárias a que tem direito e usam consideravelmente. E os argumentos são os mais esdrúxulos e descabidos, pautados no assistencialismo, demonstrando incisivamente pouca clareza do papel que exercem, reforçando a tese do analfabetismo político citando acima ou a má fé na prática dos seus mandatos. Cada um que escolha o perfil no qual se encaixa.
E quanto ao povo? Eles, os vereadores, deixaram nas entrelinhas uma clara mensagem: O POVO QUE SE DANE, QUEM MANDA AQUI SOU EU.
É zombaria demais! A população se articulando nas ruas e nas redes sociais com campanhas para redução dos salários dos vereadores por entender que muito ganham e pouco trabalham e na contrapartida, no lugar de patrões de si próprios, eles autorizam o aumento. Prova mais que cabal que não estão conscientes da função que exercem, de que pouco importa a voz das ruas e de que não temem as próximas eleições, afinal alguns deles possuem cadeiras cativas e manifestação nenhuma há de incomodá-los.
Dos 13 vereadores 9 votaram pelo aumento (são eles: Baiô, Carlitinho, Cerim, Domingão, Ivanildo Leão, João Marques, Mario de Inahumas, Mazim Ataíde, Santim e Tonho de Lionidio), um estava ausente (Pequeno) e dois, somente dois deles, se colocaram contrário a quem rendo respeito por esse ato (São eles: Benilson Ataide e Clay Sidney).
Aos que estão na rua colhendo assinaturas e demais cidadãos deixo um recado: é importantíssimo jamais esquecer o nome desses vereadores e a forma pela qual votaram. Afinal, eles são os funcionários e somos nós que pagamos os seus salários, por sinal muito bem pagos considerando o (des)serviço que prestam à população.
O POVO QUE SE DANE. QUEM MANDA AQUI SOU EU.
Necessário é manter sempre a atenção sem nos acovardar frente a práticas que considero desonestas e imorais. Esses senhores não são eternos e muitos menos seus atos e práticas vergonhosas. O poder que em tese pertence ao povo deve ser posto em prática.
VEREADOR/VEREADORA NÃO É PROFISSÃO! REDUÇÃO DO SALÁRIO JÁ!
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Robson Vieira
Especialista em Mídias Interativas – MediaLab/UFG
Licenciado em Artes Cênicas (Teatro) – Ida/UnB
Bacharelando em Ciências Sociais – Políticas Públicas – FCS/UFG
"Não acomodar com o que incomoda."
PROFESSOR DETONA CÂMARA MUNICIPAL DE SANTA MARIA DA VITÓRIA
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