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SEMENTES DE FORRAGEIRAS COM REVESTIMENTOS

A pecuária no Brasil possui tradição de ser extensiva, ou seja, criações em campos abertos, cuja alimentação principal é o capim. Este método também é chamado de boi verde e o mercado internacional valoriza as carnes com esta origem.
Apesar do sistema ser comum no país, pouco marketing se faz desta carne. Conceitos como o de animal não estressado, conservação do meio ambiente, alimento mais saudável para os bovinos, entre outros, estão por trás deste processo. O resultado é percebido ao comer uma picanha de um animal jovem criado nestas condições.
Mas para o pecuarista obter um animal de bom padrão e com carne mais apreciada, a alimentação tem que ser de qualidade. Neste caso, o atributo está relacionado a uma pastagem bem formada. Em outras palavras, o intuito é traduzir que o animal necessita de boa oferta de alimento (capim), pois aliado a outros elementos de manejo e genética, o produtor obterá alto padrão no seu rebanho. O restante será consequência.

Todavia, ao analisar o mercado de comercialização de sementes até chegar a boa formação de pastagens, há alguns elementos que chamam a atenção no quesito qualidade. Por herança ou tradição, tem sido comum encontrar pecuaristas que adquirem sementes para formação de pastagens sem a devida preocupação com a origem, qualidade ou pureza da mesma.

Apesar de monitorado pelo Ministério da Agricultura e com legislação específica, diversos elementos existem para que a tradição mencionada se perpetue. Um bom exemplo é encontrar sementes com presença de palha, torrões e outros materiais inclusos, sendo aceitável por muitos compradores.
Com um produto desta natureza, a disseminação de pragas, doenças e plantas daninhas estará presente, além do maior custo com transporte. Esta despreocupação com tais problemas tem sido comum com pecuaristas que não investem em tecnologia. Para reconhecer quem estaria na lista, basta observar um que não tem a preocupação em adubar a pastagem. Sem tecer críticas a quem não almeja alto padrão e precocidade de sua pastagem, pelas leis agronômicas, a genética e qualidade da semente, aliadas a um bom manejo desta, incluindo atenção à fertilidade, trará maior disponibilidade de alimentos para o gado.
Esta discussão veio a tona por uma novidade tecnológica que o Noticias do Oeste identificou no mercado regional, a qual pode ser específica demais, porém de grande importância em seus resultados. Além disso, é uma tecnologia inovadora e trabalhada por empresas que estão no Oeste da Bahia.
São as sementes de forrageiras com tratamentos inclusos, também denominadas de “Incrustadas”. De modo resumido, o processo consiste em selecionar as sementes, realizar uma escarificação para melhorar a limpeza e quebra de dormência, seguido de um recobrimento da mesma com fungicidas e fertilizantes.
Na escarificação o tegumento (casca) é removido, elevando a pureza da mesma para níveis acima de 95%. Após, é iniciada a incrustação propriamente dita, sendo agregados nas sementes os fungicidas, macronutrientes como Cálcio, Fósforo, Magnésio e Enxofre, bem como alguns micronutrientes como Zinco, Boro e Cobre. Neste processo, também é possível agregar inseticidas para evitar ataques de formigas, brocas e cupins, sem a necessidade desta operação no campo, na hora da semeadura.
Com a tecnologia, a semente terá um pequeno suprimento nutricional, muito importante no início de sua vida, bem como estará protegida de fungos ou insetos. A consequência imediata será um arranque inicial maior, quando comparado com o sistema convencional. Tomando por base pesquisas do setor e a realidade encontrada, Célio Viana Ribeiro, Engenheiro Agrônomo da Sementes Paso Ita, ressalta que em 80 dias após o plantio da linha incrustada, a pastagem estará apta a recebe os animais para pastejo.
Neste inédito caminho da inovação tecnológica, a semente incrustrada permite maior pureza e baixo risco de haver torrões ou pragas na mesma. Pelos tratamentos inclusos, a planta inicia seu desenvolvimento protegida e por receber nutrientes promoverá uma rápida expansão do sistema radicular, elevando a resistência a possíveis veranicos.
Pelo maior peso da semente, a distribuição na semeadura será mais uniforme, especialmente ser for por avião (desde que em solos preparados). Além disso, os problemas com pássaros e formigas deixam de existir, pois os mesmos não atacam este tipo de semente.
 Apesar das vantagens, a novidade tecnológica deixa dúvidas sobre os custos. Para isso, o Noticias do Oeste realizou um levantamento de preços das linhas incrustada e convencional comercializadas no Oeste da Bahia e o resultado comparativo surpreende. Tomando por base a cultivar Brizantha, seguindo as recomendações, a demanda será de 12 kg de semente por hectare para a incrustada, enquanto para a convencional será de 9 kg (com 50% de VC). O material adicionado (fertilizantes) eleva o peso, por isso a maior demanda por área do primeiro caso.
Levando em conta os preços médios de mercado neste inicio de agosto, a incrustada está na casa dos R$ 5,30/kg e a convencional R$ 7,90/kg. Como resultado, o custo final de formação de um hectare de Brizanta será de R$ 63,60 para a primeira e de R$ 71,10 para a segunda, fora os benefícios pautados.
Segundo informações através das entrevistas realizadas com os envolvidos no setor, a tecnologia já está sendo objeto de pirataria, com sementes sendo incrustadas com cola e outros elementos que afetam a qualidade. Por isso o alerta na hora da compra em escolher empresas idôneas, além de exigir a nota fiscal e o termo de conformidade do produto, que é a garantia do mesmo.
Esta discussão tecnológica é pertinente à região, uma vez que há mais de uma dezena de produtores que cultivam milhares de hectares de uma das melhores sementes de forrageiras do país. A prova é que o produto é comercializado em toda a América Latina.
Jornal Notícias do Oeste


SEMENTES DE FORRAGEIRAS COM REVESTIMENTOS SEMENTES DE FORRAGEIRAS COM REVESTIMENTOS Reviewed by Mural do Oeste on terça-feira, agosto 07, 2012 Rating: 5

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