Por Maglon Ribeiro
Os municípios brasileiros, na sua maioria, estão sendo assolados por crises, consequência de um
efeito cascata, que parte do governo federal. O efeito dessa crise nos municípios firma-se
sobretudo pela preferência amorfa de alguns permanecerem na dependência assistencialista do
governo federal, onde optaram por uma gestão tradicional, centrada nas relações de
dependência e subordinação às esferas estaduais e federais não conseguindo avançar,
limitando, por consequência, as ações do governo local. Presos ainda ao modelo centralizador
que perdurou no Brasil até os anos 80, muitos municípios ficaram inerte e não buscaram
alternativas de desenvolvimento local, concedidas através da redemocratização brasileira,
advinda das inovações institucionais de 1988, que permitiu, que os entes municipais brasileiros
assumissem um protagonismo jamais visto.
A maioria dos municípios, principalmente os pequenos, há muito vem negligenciando esforços
na política de arrecadação própria, firmando a situação de dependência e subordinação dos
recursos de transferências e repasses.
O que notamos, nas andanças por alguns municípios, é que os gestores, agora na turbulência
em plena escassez de recursos, alertaram para a necessidade de implementar políticas para
incrementar a receita própria, via arrecadação de impostos, taxas e serviços local. Vale lembrar
que medidas para aumentar a arrecadação própria não são imediatas, requer tempo e muitas
vezes mudança de cultura local. Conheço município de médio porte que apenas 25% da massa
de contribuinte pagam o IPTU. Imagine a educação tributária que terá que ser feita na
população, nesse caso.
Por outro lado, atualizar planta de valores, enfrentar desgaste político,
caso aumente taxas, regularização fundiária urbana, política que muitos municípios precisam
implementar visando ampliar o cadastro imobiliário, cobrança da dívida ativa...e outras ações
que fatalmente terão resultados no médio prazo.
E agora o que fazem os gestores ao perceberem que na administrar de uma cidade os problemas
surgem à sua frente em um nível mais profundo e em um tempo mais curto do que qualquer
outro ente federativo, devido à proximidade com os cidadãos, suas demandas e anseios? Sem
contar que estamos num tempo em que a sociedade está cansada de promessas de melhorias.
Agora, em tempo de turbulência, o que se observa, são os gestores desesperados à cata de
receita própria. Só resta, como medida, para efeito imediato é a redução do custeio da máquina.
Pois além de atraso de fornecedores, folha de pagamento acima do limite prudencial de 51,30%,
recai a completa paralização dos investimentos em infraestrutura e serviços essenciais.
Nos municípios onde o governo local optou por uma política mais moderna e menos
assistencialista, tomando iniciativas empreendedoras, buscando parcerias das mais diversas,
que contemplassem as necessidades da comunidade, pôde-se observar certas mudanças
estruturais nos setores econômicos, sociais e de infraestrutura.
Os Municípios devem estruturar a sua Administração Tributária Municipal, setor responsável
pelo lançamento, cobrança, arrecadação e inscrição da dívida ativa para a competente execução
fiscal.
Agora mais do que nunca, exige-se que as Prefeituras devam estar atentas na melhoria das
receitas próprias e na obrigação de arrecadar, investindo e fortalecendo os Setores de
Arrecadação ou de Tributos.
É possível arrecadar com eficácia, com um pessoal bem treinado e bem informado, com
equipamentos de informática e soluções em sistemas que agilizem e organizem eletronicamente
os cadastros e as cobrança, incrementando formas inovadoras para conseguirem sobreviver
mediante as características competitivas da economia global, sem o assistencialismo do governo
federativo.
Agora é a hora do gestor mostrar por que é um gestor.
TEMPOS DE TURBULÊNCIA: OS MUNICÍPIOS E A GESTÃO DE CRISES
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sexta-feira, novembro 10, 2017
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