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CRÕNICA: O DIA EM QUE LUIS EDUARDO MAGALHÃES SE LIVROU DO NOME DE CIDADE GOVERNADOR QUE ENTRAR


Roberto de Sena


Um morador de Luis Eduardo Magalhães, me contou um episódio pitoresco que teria acontecido logo depois que Jaques Wagner foi eleito governador da Bahia para o seu primeiro mandato.

Se for mentira não me culpe,  caro leitor ou leitora. Estou vendendo o peixe pelo preço que comprei. Mas deixemos de bolodório e vamos a história.

Um cidadão de Luis Eduardo - destes que sonham em ter prestígio político  e deliram com a possibilidade de ser candidato a prefeito - teve uma ideia que - lá ele - considerou brilhante. 

Reuniu um grupo de amigos contou em detalhes o plano mirabolante e convidou a todos para ir a Salvador conversar com o governador Jaques Wagner e apresentar a ele a tal ideia maravilhosa. 

Segundo o autor da ideia, o governador ficaria tão entusiasmado com a iniciativa que o lançaria candidato a prefeito de LEM. "Com o apoio do governador, eu ganho a eleição e boto todos vocês comigo na prefeitura com um salário lá em cima. Vai ser uma festa".

Abro um parentese para advertir ao leitor ou leitora que muita gente tida como certa da cabeça, quando entra em política, endoida de vez e desanda completamente, passando a não bater bem da bola, a não falar coisa com coisa. Mas, mesmo esses, tem seus seguidores. 



Pois bem: os amigos do cidadão - doidos por uma boquinha - não viram nada de estranho na ideia, acharam que podia ser uma jogada brilhante e seguiram viagem para Salvador na certeza que o governador iria encampar o tal negócio.  Planejaram até fazer uma festa na volta com foguetório e lançamento do novo candidato a prefeito de LEM.


Ao chegar a capital baiana, foram atrás de um deputado, que para fazer média, conseguiu que o grupo fosse recebido pelo governador. A audiência se deu na governadoria, no Centro Administrativo da Bahia.

- A que devo a honra desta visita de tão distintos amigos de Luis Eduardo Magalhães?

Perguntou Wagner com seu jeito afável e descontraído.

O homem que sonhava em ser líder político se adiantou e respondeu

- Governador em primeiro lugar eu gostaria de dizer que é uma honra para nós ter a suprema felicidade de ser recebido pelo senhor. Em segundo lugar o que me traz aqui é algo muito importante, uma maravilhosa ideia que tive e que já foi aprovada por estes amigos que estão aqui e que passarei a detalhar agora para vossa excelência...

- Pois não, pode falar - disse Wagner.

- Queremos mudar o nome de Luis Eduardo Magalhães. - Informou o cidadão sem meias palavras.

O governador ficou surpreso com a proposta e ponderou

- Olha porque vocês querem mudar o nome da cidade? o município foi emancipado tem pouco tempo, a papelada oficial tá toda com o nome de Luis Eduardo Magalhães e nós não podemos ficar trocando o nome de município a toda hora não. Isso além de dar prejuízo aos cofres públicos é muito ruim para a imagem da  cidade.

- Mas a causa é justa governador e tenho certeza que o senhor vai apoiar - rebateu o autor da ideia.

E continuou.

- Nós queremos fazer uma justa homenagem ao senhor que é merecedor por tudo que o senhor fez por nós.

Wagner começou a estranhar o negócio.

- Homenagem a mim? Como assim? - perguntou o governador sem entender nada.

- Eu explico, disse o cidadão, vamos tirar o nome de Luis Eduardo Magalhães e botar cidade governador Jaques Wagner. Não é uma beleza? Não é uma grande ideia? Não  é mais que uma justa homenagem a um grande homem como o senhor?

O governador Wagner quase engasgou com o cafezinho que estava tomando. Tossiu, pigarreou, passou um guardanapo no rosto agalegado e retrucou secamente.

- Olha amigo eu agradeço pela sua lembrança mas estas homenagens devem ser feitas a quem já morreu. Como você tá vendo com seus próprios olhos, eu ainda não morri, estou aqui bem vivo e não pretendo bater as botas por tão cedo. Portanto não gostaria de ser alvo de tal homenagem. Esqueça este assunto.

Mesmo assim o cidadão insistiu;
- Mas governador uma homenagem desta o senhor nunca mais vai receber. É um reconhecimento pelo seu trabalho como homem público.

Diante da insistência do cidadão, o governador Jaques Wagner, carioca esperto, rodado de praia, apresentou uma solução para acabar de vez com aquela história sem pé e nem cabeça.

- Eu tenho uma ideia melhor

- É mesmo governador?  E qual  a ideia?

- É  simples e vai funcionar muito bem. O negócio de vocês não é homenagear governador? Então já que vocês querem mudar o nome da cidade bote logo CIDADE GOVERNADOR QUE ENTRAR.



- Cidade governador que entrar? - Perguntou o cidadão sem entender aquele nome esquisito.

O governador explicou:

- Isso mesmo. Qualquer governador que for eleito, em qualquer ano, qualquer governador que entrar, vai se sentir homenageado e vocês estarão sempre com o governo seja ele quem for. Hoje sou eu o governador, amanhã será outro, depois será outro e vocês não terão  problema de ficar trocando o nome da cidade a cada eleição não é mesmo? O negócio de vocês não é homenagear o governador que entrar? Então façam o que eu estou sugerindo. Fica até mais bonito e mais elegante: CIDADE GOVERNADOR QUE ENTRAR. Não é um belo nome?

- E quem nasce em CIDADE GOVERNADOR QUE ENTRAR vai ser o que?

Wagner respondeu

- Governista ou entrante. Tanto faz. Ai é com vocês. Resolvam lá.

Dito isso o governador levantou-se avisando que tinha outro compromisso. O grupo retornou para LEM e nunca mais falou em trocar o nome da cidade. Foi assim que Luis Eduardo Magalhães se livrou de ser batizada de CIDADE GOVERNADOR QUE ENTRAR.
CRÕNICA: O DIA EM QUE LUIS EDUARDO MAGALHÃES SE LIVROU DO NOME DE CIDADE GOVERNADOR QUE ENTRAR CRÕNICA: O DIA EM QUE LUIS EDUARDO MAGALHÃES SE LIVROU DO NOME DE CIDADE GOVERNADOR QUE ENTRAR Reviewed by Mural do Oeste on domingo, abril 02, 2017 Rating: 5

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