1
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! Na última vez que te vi, pintei de cinza a minha voz. Formigas caminhavam no meu cérebro. Escutei o som dos seus cabelos e a música metálica e dodecafônica das minhas unhas crescendo. Alguma coisa faiscava para além do meu tormento. Algo que ninguém destrincha. Pernas de Garrincha.
2
? Mastiguei a angústia - macrobioticamente - com os olhos e tentei botar
rédea nas águas e ás águas desatinaram. Não sei se foi alucinação mas vi os peixes construindo ninhos nos
galhos das metáforas de Walt Whitmam. Ela é rara, eu errara e passei oléo de peroba na cara.
3
? Na última vez que ti vi, senti
no ar um cheiro da música cega das facas e ressentimentos guardados na última
gaveta da sua memória. Fiquei exposto a sua
frieza e peguei uma gripe. Gastei os últimos relâmpagos de lucidez que eu havia
escondido no fundo dos meus bolsos ou teria sido dentro de uma lata velha?... Digitei angústias e o teclado gemeu
enfurecido, recusando-se a escrever as frases que eu dedilhava. Olhei um quadro de Matisse como se aquilo me resumisse. Quem disse?,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,!
4
@ A última vez que te vi, estavas vestida de espanto e no avental de vento carregavas palavras-pedras para atirar na minha cara. Atirou quase todas de uma só vez. Fiz do
desespero um escudo mas suas palavras desmantelaram a dinâmica do meu silencio.
Até hoje não acredito que era a sua boca que cuspia tantas balas. E teu nome nem era Alice e eu fui cúmplice naquele cálice. Alice. Minha hélice.
5
# A última vez que te vi, percebi uma estranha conversa das árvores em uma língua que não existe
telegrafando folhas para as nuvens e as nuvens observando estarrecidas. No
rádio tocava uma música sem som nenhum, uma música sem palavras, feita de
silencio. Compreendi que aquela canção agônica funcionava como a trilha sonora da nossa
diáspora. E agora Aurora quem é fica e quem vai embora?
6
( ) Na última vez que te vi, eu
tinha em meu currículo muitas secas e havia catalogado 48 mil formas de
solidão. Nos letreiros dos seus olhos eu pude ler os alqueires de ausência. Demência. Mas eu não peço clemência
Entre nos havia uma britadeira
misturando o concreto para erguer as vigas do nosso desconsolo e um violão
gemia de saudades do tempo em que era árvore. Desarvorado.
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Agora estou aqui pegando pesado para chorar tua ausência.
!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?
O SOM DOS SEUS CABELOS - POESIA
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domingo, março 05, 2017
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