Roberto de Sena
A língua da madrugada lambeu
o silêncio
As sombras montadas em
bicicletas
Saíram dos abismos com suas
vozes de trevas
As árvores cantavam óperas
para seduzir as nuvens
- as nuvens tem alma de fêmea
–
Naquela noite os CDs
desembestaram
E giraram ao contrário
desconstruindo a música
E de dentro da música
saltavam serpentes
Que nos ofereciam maçãs
envenenadas de desejo e luxúria
De repente os textos viraram
uma orquestra de cordas
Fazendo um concerto para
chamar tempestades
E não havia nenhum colírio
para pingar no olho do furacão
As pernas do vento ventavam
pisando línguas
Pisando léguas, leguando
lágrimas e só escaparam os que se agarraram nas bordas da madrugada. Eu fui um
deles e aqui
Estou para contar a história.
CONCERTO PARA CHAMAR TEMPESTADES - POESIA
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sábado, março 04, 2017
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