Emílio e Marcelo Odebrecht, pai e filho, respectivamente,
romperam as relações familiares entre eles após o acordo de delação premiada da
empreiteira. Marcelo, que está preso e é ex-presidente e herdeiro do grupo
empresarial, ficou bastante magoado com Emílio, presidente do Conselho de
Administração da companhia.
De acordo com uma reportagem do UOL, pessoas ligadas à
investigação da Lava Jato e à Odebrecht confirmaram o fim dos laços afetivos
entre pai e filho.
"Marcelo sente-se injustiçado. Ele se vê como um bode
expiatório. Acha que pagará o preço mais alto entre todos os envolvidos na Lava
Jato também porque seu pai aceitou delatá-lo. Marcelo pagava mesmo propina e,
de certa forma, desafiava as autoridades que poderiam o incriminar. Emílio, por
sua vez, era mais conservador. Cometeu e sabia de ilegalidades, mas era mais
contido", revelou um executivo da empreiteira, que preferiu não ter sua
identidade revelada.
O declínio do relacionamento entre Marcelo e Emílio começou
logo após a prisão do primeiro, ocorrida em junho de 2015, na 14ª fase da
operação. Marcelo, que está na sede da PF em Curitiba, se mostrou contrário em
firmar um acordo, enquanto o seu pai optou rapidamente pela delação. Durante
uma visita ao filho, Emílio tentou convencer o herdeiro a fazer delação e ouviu
um não.
"Este assunto estremeceu a relação entre ambos. Havia
dois grupos na empresa: o de Marcelo, que não queria a delação de jeito nenhum,
e o de Emílio, que achava a delação a melhor saída", contou à reportagem
do UOL um funcionário da Odebrecht.
Só que a pressão caiu sobre Marcelo quando a Polícia Federal
descobriu o sistema de pagamento de propinas, feito pelo setor denominado
“Operações Estruturadas”, dentro da Odebrecht. O acordo de delações da
empreiteira foi firmado por Emílio em maio de 2016, quando começaram as
delações premiadas - aquelas que devem ser homologadas pela ministra do STF,
Cármen Lúcia, nesta terça-feira (31).
"Emílio e Marcelo nunca foram exatamente alinhados. O
filho sempre foi conhecido por seu estilo agressivo nos negócios e até na
corrupção", contou ao UOL um outro funcionário da Odebrecht, que também
não quis se identificar na reportagem.
Marcelo se tornou presidente do grupo Odebrecht em dezembro
de 2008, quatro anos antes do previsto. Segundo funcionários da empresa, ele
pressionou o pai para entregar o cargo a ele por ter pressa em mostrar que era
“capaz de comandar a empresa”.
Além do pai, o relacionamento de Marcelo com a mãe também
ruiu Ela já não visita mais o filho na prisão em Curitiba.
Notícias ao Minuto
PAI E FILHO, EMÍLIO E MARCELO ODEBRECHT ROMPEM RELAÇÕES
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segunda-feira, janeiro 30, 2017
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