A força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba
Em quase três anos de
investigações, o Ministério Público Federal já acumula 159 pedidos de
cooperação com autoridades estrangeiras para instruir ações penais relacionadas
à Operação Lava Jato. A lista, de 37 países, inclui desde Estados Unidos e
Suíça, que no mês passado divulgaram publicamente suas investigações, como
Itália, Dinamarca, Suécia e Noruega, que têm obras e negócios sob suspeita e já
solicitaram provas ao Brasil.
Até novembro, 17 países haviam
pedido documentos para órgãos de investigação brasileiros, em 26 acordos de
colaboração. Por outro lado, foram 32 países que receberam pedidos dos
procuradores brasileiros – alguns deles estão nas duas listas. A maior parte das
solicitações tem como objetivo a obtenção de documentos.
São pedidos enviados a países
como Cingapura, onde estão alguns dos estaleiros contratados pela Petrobrás, e
Gibraltar, onde está um importante porto de reparos navais. Ou Liechtenstein,
Ilhas Cayman e Uruguai, países usados para abertura de contas secretas e
movimentações de dinheiro para lavagem.
“Os pedidos de cooperação
internacional permitiram seguir as pegadas do dinheiro ao redor do mundo e
foram uma das principais características do novo modelo de investigação
inaugurado pela Lava Jato”, afirma o procurador da República Deltan Dallagnol,
coordenador da força-tarefa de Curitiba. Além da capital paranaense, os pedidos
de colaboração partiram de investigadores em Brasília e no Rio.
Os acordos jurídicos – feitos com
base em tratados e convenções internacionais – servem para autoridades de um
país requisitarem a outros países oitivas de pessoas (testemunhas ou
investigadas), para produzir e compartilhar provas documentais, para quebrar
sigilos bancário, telefônico e de e-mails, para bloqueios de bens ou valores e
para prisões e extradições.
Na China, por exemplo, país que
tradicionalmente não mantinha acordos com o Brasil, a Lava Jato buscou dados
sobre as contas usadas pelo doleiro Alberto Youssef para lavar dinheiro, em
especial, da empreiteira Odebrecht, via outro doleiro preso durante as
investigações, Leonardo Meireles.
“A mancha de países com
cooperação com o Brasil, nos grandes casos, sempre se centrou no Uruguai, ou no
Caribe, Estados Unidos e Suíça. E hoje se vê, sobretudo na Lava Jato, que essa
mancha no mapa transitou rumo aos países da Ásia, em operações que tiveram
repercussão no caso”, diz o secretário de Cooperação Internacional da
Procuradoria-Geral da República, Vladimir Aras.
Há ainda os países que abriram
investigações, mas não buscaram colaboração com o Brasil. E os que ainda devem
ser citados oficialmente nas delações de executivos e ex-executivos da
Odebrecht, como México e El Salvador, que poderão buscar cooperação para procedimentos
internos.
Internacionalização
O caso Banestado, que registrou
evasão de mais de 20 bilhões de reais em divisas, na década de 1990, é até hoje
o caso com maior volume de acordos jurídicos internacionais do Brasil: 180,
quase todos com os Estados Unidos.
“A previsão é de que a Lava Jato
ultrapasse esse número de acordos”, afirmou Aras.
Em 2017, novas apurações, dentro
e fora do Brasil, em negócios do setor de óleo e gás e obras de outros setores,
como os de transportes e energia, devem envolver mais empresas, em especial
multinacionais, para o foco da Lava Jato, avaliam os procuradores.
Outro aspecto abordado pelos
investigadores é de que a atenção internacional no caso brasileiro e o maior
volume de investigações pelo mundo devem ajudar autoridades locais a enfrentar
o que eles chamam de “contraofensiva” de políticos para frear a operação.
Como exemplo, eles citam as
tentativas de aprovar mudanças na Lei de Abuso de Autoridade no Senado e as
alterações feitas pela Câmara no pacote de 10 Medidas contra a Corrupção –
projeto de iniciativa popular encabeçado pelo Ministério Público Federal.
Veja
LAVA JATO FAZ ACORDO DE COLABORAÇÃO COM 37 PAÍSES
Reviewed by Mural do Oeste
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terça-feira, janeiro 03, 2017
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