Roberto de Sena
Rendam graças a mandioca
um dos primeiros alimentos
cultivados na fertilidade deste solo
Desta raiz brotou a aurora
e nela toda a nossa descendência
É a primavera arrancada do intestino da terra
Rendam graças a mandioca
Cantem salmos com harpas e saltério
Em torno das plantações de mandioca
cresceram populações, cidades surgiram,
da aurora branca da mandioca
Este alimento rico
é a salvação dos pobres
que arrancam a esperança de dentro da terra
A mandioca
chamada de macaxeira e aipim
reluz para além do estio
Rendam graças a mandioca
a femea farinha
de todos os dias
Oh bocas que sem a mandioca
viveriam para sempre na profunda escuridão
na treva medonha da fome absoluta
Rendam graças a mandioca
Ela faz muito mais pelos pobres
do que as promessas vâs de todos os governos
Quem planta e colhe a mandioca
Sabe que na chuva ou na seca
conta apenas
Com o vigor deste alimento
de onde a esperança
derrama seu brilho
Países fazem guerras por petróleo
testam novos combustíveis
poluem a atmosfera
A técnologia dá saltos gigantescos
O mundo investe em muitos delírios
em novos desvarios
A mandioca permanece
altaneira e bela
Desafia o semi-árido,
o abandono, o descaso, cumprindo sua missão
de manter vivos milhares de seres humanos
A mandioca no sertão atormentado
não deixa crianças e adultos,
homens e mulheres, jovens e velhos
Terem a cabeça cortada
pela guilhotina da fome
Uma roça de mandioca
é uma sinfonia de clarins
tocando a verde música do chão
A mandioca resiste
oferecendo estrofes de farinha
e nuvens de tapioca
Altaneira e fibrosa
a mandioca permanece firme
em sua beleza de alimento
Revelando a nordestina nobreza
que faz dela a rainha das casas
de paredes de taipa e teto de palha,
Rainha dos lugares sem energia elétrica
sem abastecimento de água
rainha da pobreza, dos povos esquecidos e desprezados
No breu profundo dos sertões euclidianos
Desafia o semi-árido,
o abandono, o descaso, cumprindo sua missão
de manter vivos milhares de seres humanos
A mandioca no sertão atormentado
não deixa crianças e adultos,
homens e mulheres, jovens e velhos
Terem a cabeça cortada
pela guilhotina da fome
Uma roça de mandioca
é uma sinfonia de clarins
tocando a verde música do chão
A mandioca resiste
oferecendo estrofes de farinha
e nuvens de tapioca
Altaneira e fibrosa
a mandioca permanece firme
em sua beleza de alimento
Revelando a nordestina nobreza
que faz dela a rainha das casas
de paredes de taipa e teto de palha,
Rainha dos lugares sem energia elétrica
sem abastecimento de água
rainha da pobreza, dos povos esquecidos e desprezados
No breu profundo dos sertões euclidianos
POESIA
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sexta-feira, novembro 04, 2016
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