Por Maglon Ribeiro
As cidades estão crescendo, mudando, e seus problemas estão se tornando cada vez mais complexos. Questões antes facilmente remediáveis, mas não resolvidas no tempo devido, configuram hoje problemas estruturais com sérias conseqüências para os habitantes das cidades com mais de 100 mil habitantes. Barreiras , uma das cidades que mais cresce na Bahia,enquadra-se nesse perfil. Problemas de mobilidade urbana, do crescimento de ocupações irregulares, ou da alta violência, resultados de um conjunto de fatores socioeconômicos, mas também de décadas de políticas e ações ineficazes por parte do poder público. . Esse desafio se torna ainda maior nas cidades mais populosas, onde os problemas são mais diversificados e complexos. São desafios que dificilmente são resolvidos no período de um único mandato ou por ações isoladas do poder municipal.
A oferta de serviços públicos de qualidade e acessíveis à
população é outro enorme desafio. Nesse quesito, a avaliação no caso de
Barreiras é muito desfavorável, se levarmos em consideração os serviços de
saneamento básico, onde apenas há 10
anos atrás , portanto tarde demais para o crescimento da cidade nos últimos 40
anos, iniciou-se as obras voltados para sanar esses problemas, os quis tomaram
uma dimensão maior do que se esperava.
Serviços essenciais – como educação e saúde básicas, acesso a água e esgoto,
coleta de lixo, transporte público e iluminação pública –, bem como serviços
que impactam diretamente o ambiente econômico das cidades – como planejamento e
zoneamento do uso do solo, aprovação de projetos, concessão de alvará para
funcionamento de empresas – são exemplos de competências constitucionais dos
municípios e que pressionam continuamente os gestores municipais. Além disso,
atingir um nível de serviço aceitável não é suficiente para resolver o
problema. É necessário monitorar, avaliar e adequar continuamente tais serviços,
uma vez que o desenvolvimento econômico do País e o crescimento das cidades
demandam isso.
As exigências da sociedade e os mecanismos de controle
impõem cada vez mais alto nível de especialização ou seja profissionais
qualificados e motivados e de gestão eficiente de fornecedores e de terceiros.
Além disso, as expectativas da população aumentaram e as cobranças também.
Mudanças importantes nos instrumentos de transparência e controle implantadas no País. Políticas institucionais de difusão
da informação e transparência, como a adesão do Brasil a iniciativa Governo Aberto
a Lei Federal de Acesso às Informações caminham nessa direção. O Ministério
Público e os Tribunais de Contas também estão cada vez mais atuantes e
preparados para fiscalizar a gestão dos prefeitos. Nesse contexto, a cobrança
pela resolução dos problemas da cidade e pela entrega das promessas de campanha
será cada vez mais intensa e decisiva para o futuro político dos prefeitos.
COMO
ENFRENTAR ESSES DESAFIOS
Existem, entre os 5.565 municípios brasileiros, 289 cidades
que possuem mais de 100 mil habitantes e que concentram 55% da população nacional.
Barreiras é uma delas. São cidades grandes e médias que possuem natureza e
complexidade de gestão municipal diferenciada em relação às demais e ocupam
papel central na rede de cidades existentes no Brasil. São, portanto, elos
centrais desta rede e por este motivo o seu desempenho é fundamental para o
êxito da maior parte das políticas de caráter regional e nacional.
No
mandato que iniciará em 2017, esses 289 municípios administrarão, numa conta
conservadora, recursos orçamentários da ordem de R$ 700 bilhões no período,
segundo estimativas. Desse grupo, 41 cidades possuem orçamentos anuais
superiores a R$ 1 bilhão, o que reforça sua relevância para o contexto
nacional.
Administrar cidades
implica conhecer as características da população e a natureza dos seus
problemas em um nível mais profundo e em um tempo mais curto do que qualquer
outro ente federativo, devido à proximidade com os cidadãos, suas demandas e
anseios.
A experiência nos aponta que não existe uma receita única
para uma gestão municipal de sucesso. Porém, existem práticas inequívocas que
efetivamente podem ajudar gestores municipais a produzir, medir e comunicar
bons resultados para a população.
Instrumentos eficazes de gestão como o PES – Planejamento
Estratégico Situacional, como forma de planejar as ações do governo,
compartilhando as ações com as partes interessadas em construir um futuro
melhor para a cidade e a adoção de práticas de Gestão Estratégica Por
Resultados , cuja a função é a de facilitar a administração em direção efetiva
e integrada de seu processo de criação de valor público, a fim de otimizá-lo,
assegurando a máxima eficácia , eficiência e efetividade de desempenho, além da
consecução dos objetivos de governo e a melhora continua de suas instituições,facilitam
assim, o trabalho do gestor público.
Para começar, é fundamental a adoção e execução de uma
agenda que: a) se ancore numa visão compartilhada de cidade que se deseja; b) identifique
e selecione os caminhos que conectam a cidade atual com aquela que se deseja; c)
defina estratégias de integração da cidade às redes de produção de valor e
logísticas coerentes com o projeto de futuro desejado; d) mobilize e articule
atores e recursos públicos e privados na sua execução; e) implemente uma nova
geração de políticas e instrumentos que facilitem a interação e acelerem a
inovação. Isso exige um investimento em planejamento maior do que os gestores
públicos estão acostumados, mas cujo retorno supera inúmeras vezes o esforço despendido.
A cidade de Barreiras requer ,e a nova gestão deve buscar, implementar ações necessárias visando alcançar padrões
adequados na prestação dos serviços públicos, com ênfase em resultados. Procurando,
dessa forma , promover a gestão seletiva e focada nos serviços essenciais. A
elaboração do PPA – Plano Plurianual alinhado com o planejamento estratégico, observando os objetivos
estratégicos, a visão no horizonte de médio prazo para a cidade, definida com a
participação de toda equipe de governo, torna –se um ponto indispensável para
iniciar uma boa administração.
Mudar a realidade socioeconômica da nossa cidade deve ser o
empenho de toda equipe de gestão. Manter
um órgão de planejamento municipal faz parte indispensável dessa estratégia,
como órgão centralizador dos instrumento de planejamento. O olhar agora é para
a totalidade da cidade, integrando as várias ações do governo dentro de um
objetivo comum – único - no sentido de
promover melhoria de vida para os
habitantes da cidade. Não temos agora que dimensionar o planejamento com base
nos recursos disponíveis, mas sim diagnósticar a realidade em que Barreiras se
encontra – as reais necessidades e demandas da população - e planejar para mudar essa realidade promovendo as melhorias
necessárias. A falta de recursos para a execução dos projetos é a parte B do
plano, faz parte do planejamento captar os recursos necessários para
implementar as obas que realmente a cidade precisa.
Para ampliar a capacidade de investimento dos municípios se
torna imprescindível a viabilização de parcerias junto a outros municípios,
Governos Federal e Estadual, bem como junto aos organismos de financiamento e
fomento (BID, BIRD e BNDES, BB e CAIXA ECONÔMICA FEDERAL) , para subsidiar e/ou
financiar parte das ações da prefeitura. A disponibilidade de recursos onerosos
e não onerosos para essas finalidades cresceu substancialmente nos últimos
anos, especialmente por meio dos repasses de programas federais como SICONV,
importante instrumento de transferências voluntárias, PAC; Minha Casa, Minha
Vida; Bolsa Família. Também se tornam muito oportunas iniciativas de concessões
e parcerias público-privadas, visando induzir e direcionar a participação do
setor privado no desenvolvimento do município. Não se pode mais deixar de lado,
no caso específico de Barreiras, a atualização da planta de valores
imobiliários, como forma de alavancar a arrecadação do IPTU, bem como a
cobrança negociável da divida ativa que gira em torno de R$ 80,00 milhões. Um
município que não tem 5% de capacidade de investimento não pode negligenciar
tais recursos e não utilizar de forma
eficiente a sua capacidade de arrecadação.
Por
último, mas não menos importante, é a participação popular na elaboração dos
planos como instrumentos de políticas públicas para o município, a exemplo do
PPA, Conferência da cidade, Plano Municipal de Saúde, Plano municipal de
Cultura, Plano de Resíduos Sólidos e
mais recentemente a revisão do PDU/Participativo, com ampla participação de toda a sociedade
civil do município. A participação popular tem impacto direto sobre o nível de decisões
que, ao lado do aprimoramento institucional provocam mudanças ao longo do tempo
e quase não são perceptíveis no curto prazo, mas são essenciais para
impulsionar o crescimento sustentável dos municípios brasileiros, bem como para
preservá-los de ingerências políticas potencialmente prejudiciais ao interesse
público. O CONCIDADE é um instrumento de extrema importância na elaboração das
políticas urbanísticas.
Como
cidade polo, Barreiras nos leva a defender
a tese de que as médias cidades, contexto no qual Barreiras se inclui, são a melhor maneira de
organização para explorar ao máximas interações e produzir inovações. Geralmente
analisados por seus problemas e dificuldades, os centros urbanos de médio porte
podem ser uma grande fonte de inovação, por sua escala e concentração de
oportunidades profissionais, bens e serviços que contribuem fortemente para o
desenvolvimento de uma região, a prosperidade e a qualidade de vida das
pessoas. Explorar esse potencial é a missão central dos prefeitos.
OS DESAFIOS DA GESTÃO MUNICIPAL NAS PEQUENAS E MÉDIAS CIDADES
Reviewed by Mural do Oeste
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quarta-feira, outubro 19, 2016
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