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ASSOCIAÇÃO DE MAGISTRADOS DO TRABALHO ESTABELECE AÇÕES PARA ERRADICAÇÃO DO TRABALHO INFANTIL

Cerca de 10,5 milhões de crianças em todo o mundo são trabalhadoras domésticas, muitas vezes submetendo-se a condições perigosas e análogas à escravidão. Os dados foram divulgados hoje (11/6) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) no relatório "Erradicar o trabalho infantil no trabalho doméstico". Segundo a OIT, dessas crianças trabalhadoras, 6,5 milhões têm entre cinco e 15 anos e mais de 71% são meninas.
"A situação de muitas crianças trabalhadoras domésticas não somente constitui uma grave violação dos direitos das crianças, mas continua sendo um obstáculo para o alcance de muitos objetivos nacionais e internacionais de  desenvolvimento", alerta Constante Thomas, diretora do Programa Internacional para a Erradicação do Trabalho Infantil  da OIT. O relatório lança um apelo para uma ação conjunta em nível nacional e internacional com o objetivo de eliminar o trabalho infantil no ambiente doméstico.

A diretora de Cidadania e Direitos Humanos da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Silvana Abramo, lembra que o Brasil assumiu o compromisso internacional de erradicar a prática. "Nosso país ratificou a Convenção 182 da OIT, que define as piores formas de trabalho infantil, comprometendo-se a erradicar os trabalhos degradantes nela definidos até 2015 e todas as formas de trabalho infantil até 2020". A magistrada ressalta também que o Decreto 6.481 de 2008, ao regulamentar os artigos 3º e 4º dessa Convenção, incluiu expressamente o trabalho doméstico dentre essas piores práticas.
"Os juízes do Trabalho, representados pela Anamatra, engajam-se no objetivo de erradicar essa chaga social, desenvolvendo ações educativas, a exemplo do Programa Trabalho, Justiça e Cidadania (TJC), iniciativa da entidade que leva noções de direito e cidadania a escolas", pontua a diretora. Além disso, segundo Abramo, a entidade atua contribuindo na elaboração de novos marcos normativos para o combate ao trabalho infantil. "Os juízes do Trabalho estão atentos à questão do trabalho infantil em sua atividade jurisdicional diuturna", completa.
Regulamentação de direitosA proposta legislativa que vai regulamentar a Emenda Constitucional nº 72 (novos direitos dos domésticos) contém regra proibitiva, de forma explícita, com relação ao trabalho doméstico para menores de 18 anos. A regra atendeu à sugestão da Anamatra, que participou das discussões da Comissão Mista sobre a Consolidação da Legislação Federal e Regulamentação de Dispositivos da Constituição Federal.
"Infelizmente ainda é bastante comum vermos, principalmente meninas, saírem de cidades interioranas em busca de trabalho em 'casas de família' nas grandes cidades. E muitas vezes não têm oportunidade de ir à escola e recebem como remuneração apenas comida e lugar para dormir. O trabalho doméstico sujeita crianças e jovens a esforços físicos intensos, isolamento, abuso físico, psicológico e muitas vezes sexual, longas jornadas de trabalho, movimentos repetitivos e tantas outras práticas que podem comprometer o seu processo de formação psicológico, físico, emocional e social", alerta o presidente da Anamatra, Paulo Luiz Schmidt.
O magistrado lembra também que a realidade do trabalho infantil doméstico é de difícil fiscalização, quiçá mensuração, mas estima-se que mais 400 mil crianças encontram-se nessa situação no Brasil. O número é significativo dentro do universo de 3,7 milhões de crianças e jovens entre de 5 a 17 anos vítimas de trabalho infantil nos mais diversos setores, de acordo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) de 2011.
Informações à Imprensa:
ASSOCIAÇÃO DE MAGISTRADOS DO TRABALHO ESTABELECE AÇÕES PARA ERRADICAÇÃO DO TRABALHO INFANTIL ASSOCIAÇÃO DE MAGISTRADOS DO TRABALHO ESTABELECE AÇÕES PARA ERRADICAÇÃO DO TRABALHO INFANTIL Reviewed by Mural do Oeste on terça-feira, junho 11, 2013 Rating: 5

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