A
casca da cebola, do alho e o bagaço da cana se transformam em papéis
texturizados, envelopes e caixas para presente multicoloridas. Caixotes
que transportam verduras e frutas agora são a base para cestas e baús de
palha de milho. Garrafas pet se tornam pufes, sofás e até camas. A arte
e o compromisso de reaproveitar itens desprezados por muitos é rotina
para mulheres e homens que passam pelas oficinas do Programa Colméia, da
Prefeitura de Barreiras.
No
espaço, que funciona no Parque de Exposições, os participantes aprendem
técnicas de trançar a palha, tingir sementes, fibras e fios. Produzem
doces de frutas exóticas do cerrado como o araticum e a mutamba. Ditam
moda com a confecção de roupas e acessórios em couro, crochê e retalhos.
A maior parte da matéria prima vem da natureza, é colhida e aproveitada
na sua totalidade.
O
Programa criado em 2009 já ofereceu uma chance de crescimento e
profissionalização a mais de quatro mil pessoas, a maioria, mulheres.
Atendeu não apenas aos bairros e centro da cidade, mas foi até ao campo,
percorreu dez localidades e deixou em cada uma, uma proposta
sustentável de explorar os materiais que a natureza oferece aos seus
moradores.
A
responsável pela evolução dessas pessoas é Maria da Penha, uma mulher
de fibra, empreendedora e que não se cansa em sempre querer mais. “Nossa
missão é desenvolver essas pessoas e não apenas incrementar a renda
familiar. Queremos que elas sejam multiplicadoras do que fazem aqui
porque um dia essas reservas naturais vão esgotar, portanto, o manejo
correto é uma das formas frear o uso desequilibrados dessa fontes
naturais”, diz Penha.
O
Colméia é dividido em 13 oficinas e fica a critério de cada
participante escolher aquela que tiver mais afinidade. Há casos em que
as alunas passam por várias oficinas. Foi o que aconteceu com Genilda
Maria da Silva, 34 anos, moradora do Loteamento São Paulo. Ela está a
dois anos do programa e já aprendeu muitas coisas, conforme ela mesma
fala.
“Aprendi
a fazer doces, trabalhar com o capim dourado, com tabua e a produzir
papel a partir de vários materiais. Pretendo no futuro exercer tudo o
que eu aprendi aqui, principalmente com produtos de reciclagem que eu
não tinha nem noção do tanto que é reaproveitável esse material. O lixo
de escritório se transforma em caixas de papel lindas”, diz empolgada
com o aprendizado.
Genilda
tem uma história de vida sofrida, mãe de sete filhos, enfrenta muitas
dificuldades para, junto com o marido, oferecer uma vida digna às
crianças. No Colméia, conheceu uma alternativa de melhorar a renda e
principalmente, de ser percebida enquanto pessoa. “Antes eu não ligava
para o estudo, hoje, voltei a estudar. Pra mim mesmo só trouxe
felicidade”, revela.
Reconhecimento – No
ano passado o Programa Colméia recebeu um prêmio do Instituto Mauá, de
Salvador. “O programa foi considerado completo na sua constituição e na
sua essência. Recebemos R$ 170 mil em equipamentos para melhorar nossas
oficinas”, diz Penha. Agora está sendo adquirido
um ônibus que irá percorrer os bairros de Barreiras levando oficinas
profissionalizantes em pontos diferentes.
O
Programa conquistou autonomia e caminha praticamente sozinho. Como a
maior parte da matéria prima vem da própria natureza a partir de coleta
seletiva, cabe a Prefeitura o custeio de pessoal e o suporte em
infraestrutura. Algumas empresas privadas colaboram com doações de
produtos como retalhos, por exemplo. O resultado das vendas do que é
produzido, é distribuído 50% para o programa para compra de matéria
prima e os 50% restantes, ficam com as artesãs.
As
ações do Colméia junto às comunidades impulsionaram a indicação do nome
da prefeita Jusmari Oliveira para concorrer ao Prêmio Prefeito
Empreendedor, do Sebrae. Outro fato que orgulha as participantes do
programa foi a participação de dois desfiles na Câmara Federal. Em
Brasília levaram aos parlamentares as cores, tramas e sabores dos itens
produzidos.
“Nosso
programa foi por oito vezes tema de monografias produzidas por
universitários de Barreiras. É uma tecnologia social e, ao mesmo tempo,
um projeto econômico sustentável. Aqui a gente não joga nada fora,
pigmenta, cozinha e transforma”, finaliza Penha.
Conheça o Colméia – Criado
em 2009, o Programa Colméia busca qualificar pessoas com o compromisso
de preservar o meio ambiente. Mantém o plantio de mudas de espécies
nativas que são distribuídas entre as comunidades trabalhadas. Possui 13
projetos de qualificação da mão de obra: tecelagem, crochê e bordado,
mini marcenaria, trançados das fibras vegetais, fábrica de doces,
fábrica de papel com fibras vegetais e reciclagem de papel, corte e
costura, patchwork, biojóias, confecções de embalagens, enxovais de bebê
e trabalhos em couro.
O
programa já atendeu 4.016 pessoas na sede de Barreiras e nas
localidades de Mata da Cachoeira, Pequizeiro, Cachoeira do Acaba Vida,
Sangueira, Chico Preto, Assentamento Rio de Ondas, Barrocão de Cima,
Mocambo, Tatu de Baixo e Vereda das Lages.
SUSTENTABILIDADE FAZ DO PROGRAMA COLMÉIA REFERÊNCIA NA MUDANÇA DE VIDAS E ATITUDES
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quinta-feira, maio 24, 2012
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