O presidente do Sindicato dos
Trabalhadores Rurais de Barreiras, José Gomes, está na linha de frente
de defesa dos moradores de uma comunidade próxima ao Distrito Industrial
de Barreiras. Segundo José Gomes, os moradores estão no local há 10
anos e agora a SUDIC (Superintendência do Desenvolvimento Industrial e
Comercial) está tentando mais uma vez tirar as pessoas da área. Ele
considera o fato arbitrário, uma vez que existe uma decisão liminar do
Tribunal de Justiça em Salvador que garante a permanência dos moradores
no local.
Dona
Belanizia de Souza Sirineu, de 66 anos, tem um pequeno sítio nesta
área. Ela produz frutas, cana de açúcar, cria porcos e galinhas, e
afirma que vem sofrendo uma pressão muito grande por parte da SUDIC, e
não entende o motivo de tamanha perseguição, já que os governos
anteriores em momento algum ameaçou retirá-los de lá. "Estou doente por
causa deste problema, não tenho mais sossego. Até a minha cerca eles
mandam derrubar e ainda mandam a polícia nos perseguir como se a gente
fosse bandido. Não posso ficar calada diante de um absurdo desse, e peço
as autoridades que tomem providências urgentes para nos defender."
COMUNIDADE JÁ TEM INFRAESTRUTURA
A
comunidade já conta com energia elétrica e ruas abertas. 49 famílias
moram no local, e todas dizem que a terra não pertence a SUDIC. Seu
Ataliba Rodrigues Pacheco cria cavalos, porcos, galinhas e desenvolve um
trabalho social de recuperação de pessoas viciadas. "Eu não posso sair
daqui, pois este é um local apropriado para o trabalho que
desenvolvemos. Peço as autoridades que tenham sensibilidade, humanidade e
solidariedade para conosco, pois está situação está nos deixando
preocupados e tirando a tranquilidade de todo mundo."
Os
moradores argumentam que não existe ordem judicial para tirá-los do
local e que a polícia e uma máquina que está derrubando as cercas agem à
revelia da Justiça, sem apresentar qualquer documento legal que
autorize a derrubada das cercas. "Um policial esteve aqui acompanhando
uma máquina. Quando nos dissemos que não havia ordem judicial o próprio
policial perguntou ao operador da máquina se ele tinha a ordem da
Justiça, e o operador respondeu que não, e estava apenas cumprindo uma
determinação que recebeu da SUDIC. O policial então se recusou a
continuar no local e foi embora, alegando que não poderia dar cobertura à
uma ação que não tinha autorização judicial", disse dona Belanizia
Sirineu.
De
acordo com o presidente do Sindicato, josé Gomes, já foram prestadas
duas queixas na polícia civil de Barreiras, por conta das ameaças que os
moradores vêm recebendo da SUDIC, mas até o momento ninguém do orgão
compareceu para dar explicações sobre os fatos. Ele disse que levará o
problema ao conhecimento da deputada estadual Kelly Magalhães, e do
deputado federal Daniel Almeida, ambos do PCdoB, pois tem certeza que
eles não concordam com este tipo de comportamento e irá ajudá-los a
resolver o problema e devolver a paz e a tranquilidade aos moradores da
área. "O CTG (Centro de Tradições Gaúchas) tem uma área no mesmo local, e
ninguém cogita a possibilidade de tirá-los de lá, por que essa
perseguição com os mais fracos e mais pobres? Alguma coisa está
acontecendo de errado nisso, mas vamos tomar providências, e não
aceitamos intimidação e nem arbitrariedade, e os moradores só sairão do
local se a Justiça determinar e o governo fornecer uma nova área para
instalar essas 49 famílias", afirmou José Gomes, presidente do Sindicato
dos Trabalhadores rurais de Barreiras.
SINDICATO DOS TRABALHADORES RURAIS DEFENDE MORADORES DE ÁREA PRÓXIMA AO DISTRITO INDUSTRIAL
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terça-feira, maio 22, 2012
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