O presidente da Câmara Municipal de Barreiras vereador Pastor Souza utilizou o diálogo para contornar uma situação que poderia ter ficado tensa e dificil de resolver. Centenas de professores grevistas de Barreiras se dirigiram a Câmara com a intenção de participar da sessão desta quarta-feira (30), inclusive utilizar a Tribuna do Parlamento que já havia sido solicitada anteriormente pelos líderes do movimento. O problema é que a sessão não aconteceu por que faltaram os seguintes vereadores: Beza ( que é presidente da Comissão de Educação da Câmara), Geovanni Many, Ben Hur Ayres, Carlos Tito, Bispo Daniel e Leidiomar. Enfrentaram a situação e compareceram apenas os vereadores Pastor Souza, presidente da Casa, Sobrinho, vice-presidente, Hipólito e Carlão.
Pastor Souza utilizou o microfone apenas para dizer que a sessão estava suspensa por falta de número de vereadores conforme determina o Regimento Interno da Câmara. Os professores iniciaram uma manifestação de protesto com alguns chegando a acusar a prefeita Jusmari Oliveira de ter dado ordens para que a sessão não acontecesse e que não fosse permitido que os professores falassem na Câmara.
REUNIÃO NA SALA DO PRESIDENTE
O vereador Carlão sugeriu que os professores fossem ao seu gabinete na tentativa de estabelecer uma conversa com todos. A comissão do comando de greve, entretanto, optou por uma reunião no gabinete do presidente Pastor Souza. O clima esteve quente, com farpas sendo lançadas de parte a parte, inclusive com alguns professores reclamando da omissão dos vereadores, principalmente dos que preferiram não comparecer a reunião. Num dado momento o vereador Sobrinho chegou a trocar palavras duras com a professora Marluce Belém. O vereador Carlão também colocou o presidente do Sindicado dos Servidores Municipais Edson Vieira Lima em uma saia justa. Perguntou porque no ano passado o Sindicato dos Servidores Municipais mantinha uma proximidade com a prefeita e agora mudou de posição. Edson, não perdeu a tranquilidade e respondeu de forma serena. Disse que, no passado, a prefeita estava aberta ao diálogo e agora, em nenhum momento, ela se mostrou disposta a atender as reivindicações da categoria. Edson disse também que o Sindicato está analisando as contas do FUNDEB e depois apresentará aos vereadores mas já adiantou que há questões graves e que precisam ser corrigidas imediatamente. "Não sei se é do conhecimento da prefeita mas já identificamos várias irregularidades nas contas" disse ele. O vereador Hipólito disse entender os motivos da greve mas fez severas críticas a maneira que, segundo ele, alguns professores estão se comportando nas caminhadas pelos bairros. "Muitos ao discursarem nos bairros fogem totalmente da pauta da greve e passam a xingar os vereadores. Isso aconteceu comigo. Pararam na porta da minha casa e começaram a dizer coisas absurdas com as quais eu não posso concordar, assim fica dificil" disse ele. A professora Luzimar rebateu na hora. "O senhor é um homem público, que foi eleito pelo povo e sabe que as cobranças e as críticas vão existir mas ninguém tratou o senhor ou qualquer outro vereador com desrespeito, o que não aceitamos é a omissão dos vereadores na hora de nos ajudar ou quando deveriam fiscalizar as contas da prefeita e não cumprem o seu papel. Isso nós não podemos admitir."
PREFEITURA DIZ QUE NÃO TEM ACORDO
Os professores se queixaram também que, nas reuniões feitas com prepostos da prefeita, eles disseram que a ordem era não fazer acordo nenhum. "Nós é que propusemos um aumento de 15% e nem isso eles querem dar, estamos sendo tratados com uma falta de respeito muito grande, a prefeita foge dos professores como o diabo foge da cruz" disse a professora Luzimar Santos. Ela denunciou ainda que as escolas de Barreiras estão semi-destruidas e que em algumas delas as crianças são obrigadas a fazer o lanche no chão por falta de cadeiras. "Isso é um absurdo, não se pode tratar a educação desta forma". O professor Airon Pinto pediu empenho dos vereadores no sentido de se buscar uma solução para o caso. "A prefeita não recebe os professores, não dialoga, isso não é democracia" disse ele. A professora Marluce Belem chegou a afirmar que a professora Isolda (uma das principais assessoras de Jusmari) disse que não tinha mais "cara" para negociar com os professores. Segundo Marluce, Isolda teria usado a seguinte expressão. "A gente conversa uma coisa com vocês e depois o Diran não cumpre nada". (Diran é o secretário de Finanças da prefeitura de Barreiras.)
FINAL DA REUNIÃO
No final da reunião o Pastor Souza informou ter falado por telefone com o procurador do município, o advogado Jaires Porto e que ele garantiu que estava buscando uma solução para o problema. O Pastor também fez um apelo para a sensibilidade dos professores no sentido de cederem em alguns pontos da pauta de reivindicações e assegurou que irá buscar um entendimento com a prefeita Jusmari Oliveira no sentido de ser uma ponte entre ela e os grevistas. O Pastor terminou a reunião pedindo serenidade, equilibrio e disposição para o diálogo de parte a parte. "Somente desta forma poderemos tentar ajudar a resolver o problema." afirmou ele. Apesar do cansaço do estresse da greve, os professores parecem ter saido mais aliviados depois do diálogo com o presidente da Câmara.
Foto: Cathy Rodrigues
Foto: Cathy Rodrigues
PRESIDENTE DA CÂMARA UTILIZOU DIÁLOGO PARA ENTENDIMENTO COM PROFESSORES GREVISTAS DE BARREIRAS
Reviewed by Mural do Oeste
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quarta-feira, março 30, 2011
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Soa muito estranho essa não realização da sessão da camara marcada para ontem.
ResponderExcluirChama atenção até pelos nomes dos vereadores ausentes.
Lamentável essa situação por que passa o municipio de Barreiras.
Sem horizonte e na mais tenebrosa escuridão.